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Água é Património
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ÍNDICE

Abastecimento PúblicoSéculo XIX: a sensibilização para o problemaSéculo XX: período de viragemConservação, defesa e uso da ÁguaCursos de Água e Lendas
MÃE-D’ÁGUA: Centenário do Abastecimento Público de Guimarães.
Textos António Amaro das Neves, Francisco Costa, António Bento. Guimarães: Vimágua, Empresa de Água e Saneamento de Guimarães e Vizela, [2007]. 256 p.: il; 29 cm. (978-989-20-0658-1)

Fotografias: Eduardo Brito / Paulo Pacheco

O Mestre Agueiro e as devassas

"A defesa e proteção da água, a fim de que nunca faltasse nos tanques e chafarizes da vila, resultaram, em inícios do séc. XVII, na criação do ofício de mestre agueiro ou fabricante de água. Cargo, inicialmente, vitalício, de nomeação camarária e confirmação régia, tinha como função fiscalizar, vigiar as águas públicas e proceder a trabalhos de reparação de obras ligadas ao seu abastecimento. Em 1642, devido à inoperância de alguns agueiros, a Câmara obteve uma provisão na qual poderia adjudicar, anualmente, pelo melhor preço, a fábrica de água da vila, anulando a perpetuação deste ofício. O primeiro mestre agueiro da vila, data de 1601, foi o construtor dos encanamentos e do chafariz do Toural, Gonçalo Lopes.
Além do ofício de agueiro foi, ainda, imposto através do alvará régio de 16 de Julho de 1630, as “devassas” ao Juíz de Fora afim deste investigar, anualmente, as pessoas que, de qualquer forma, desviassem a água que vinha da Serra para os chafarizes da vila e que plantassem árvores a menos de 30 palmos dos canos. Apesar das multas pesadas impostas pela Câmara, os roubos de água e a degradação dos aquedutos que a transportavam da Serra para cidade, prolongaram-se até ao século XX”.



Acórdãos e Posturas Municipais

“A Câmara de Guimarães tomou um conjunto de medidas para que a água corresse limpa e salubre nas fontes e chafarizes da urbe vimaranense, sem nunca descurar as medidas de higiene urbana. Em 1531, foi proibido proceder à lavagem de hortaliça, roupa, couros nas fontes da vila, no chafariz da Praça Maior foi interditada a natação. A retirada de água das fontes era feita por primazia de chegada exceptuava-se quem fosse de púcaros ou copos. Em 1621, foi apregoado a proibição de deitar porcos, ou outro gado, à rua, durante a noite. Em 1842, foi vedado o lançamento nas ruas e praças da vila de águas sujas, ou qualquer outra imundice, bem como dirigir para via pública canos de despejo doméstico. O “água-vai”, que se devia repetir por três vezes, só podia ter lugar à noite. As posturas impediam ainda estrumeiras nas ruas, praças e lugares de trânsito público. O Código de Posturas de 1873 interdita que as latrinas fossem viradas para rua ou para qualquer lugar público. Percorrer as ruas de Guimarães, ou de qualquer outro centro urbano dos séculos XVII ou XVIII, seria para nós, certamente, uma experiência tão surpreendente, quanto desagradável”.



“Limpeza a seco”

“Em Guimarães, tal como noutros centros urbanos, não existiam sistemas de saneamento público nem lugares para banhos ou cómodos para fazerem as necessidades. O banho não fazia parte dos hábitos de higiene, recorria-se ao asseio, ligado à limpeza do que é visível, mãos, rosto e roupa. Inventou-se a limpeza a seco, que se praticava esfregando a pele com panos, por vezes humedecidos, e passou a recorrer-se à mudança de roupa. Andar limpo passou a ser sinónimo de vestir uma camisa limpa, mesmo que fosse por cima de um corpo recoberto de crostas de sujidade. Quanto aos desagradáveis odores corporais, encobriam-se com mistelas perfumadas. Difunde-se a ideia que uma certa camada de sujidade sobre o corpo poderá funcionar como barreira protectora contra as doenças. Os cabelos nunca se lavavam, no máximo, esfregavam-se com pó de farelo. No século XVIII, chegará a moda das cabeleiras brancas empoadas, usadas por homens e mulheres para ocultarem os seus próprios cabelos.
A ausência de hábitos de higiene vai perdurar durante muito tempo, apesar das alterações das mentalidades”.



Excerto da ata da sessão ordinária da Câmara Municipal de Guimarães

doc.4-1-1Título: [Excerto da ata da sessão ordinária da Câmara Municipal de Guimarães]
Âmbito e Conteúdo: Adjudicação da fábrica de água a José Ribeiro Pereira.
Data: 4 de janeiro, 1676 / Dimensão: 1 f. (290x210 mm)
Cota: AMAP-10-9-7-13 (Pág.: 147)
archeevo.amap.pt/details?id=50257



Provisão para devassar as pessoas que furtam água dos chafarizes da vila de Guimarães

Título: [Provisão para devassar as pessoas que furtam água dos chafarizes da vila de Guimarães]
Âmbito e Conteúdo: Alvará Régio no qual se dispunha que o Juiz de Fora investigasse anualmente acerca dos indivíduos que por qualquer modo impedissem o curso de água e que procedesse contra os que achasse culpados do facto.
Data: 16 de julho, 1630 / Dimensão: 3 f. (420x300 mm)
Cota: AMAP-M-2657 (Pág.: 146v-147v)



Código de Posturas do Concelho de Guimarães e Regulamentos anexos

doc.4-4-1Título: [Código de Posturas do Concelho de Guimarães e Regulamentos anexos]
Âmbito e Conteúdo: Código de Posturas e Regulamentos anexos do Concelho de Guimarães.
Data: 1914 / Dimensão: 240 p. (190x130 mm)
Cota: AMAP-MF-18.4
archeevo.amap.pt/details?id=291843



Regulamento Municipal do fornecimento e consumo de águas

doc.4-5-1Título: [Regulamento Municipal do fornecimento e consumo de águas]
Âmbito e Conteúdo: Regulamento Municipal do fornecimento e consumo de águas na povoação das Caldas das Taipas.
Data: 1926 / Dimensão: 15 p. (170x120 mm)
Cota: AMAP-7-25-5-2
archeevo.amap.pt/details?id=291871



Regulamento do Serviço de Abastecimento de Água a Guimarães

doc.4-6-1Título: [Regulamento do Serviço de Abastecimento de Água a Guimarães]
Âmbito e Conteúdo: Regulamento do Serviço de Abastecimento de Água a Guimarães.
Data: 1954 / Dimensão: 35 p.(210x150 mm)
Cota: AMAP-MF-18.14
archeevo.amap.pt/details?id=291855